quarta-feira, 28 de junho de 2017

se tu fosse 
um lixo
[como tu diz]
tu não me
despertaria
sensações
tão
bonitas -
tu é leve
e,
quando tormenta,
também é bela
porque é real
e humana
mas não lixo
nunca lixo
e sim luz
mar sereno
céu estrelado
e,
quando chuva
e trovoadas,
é metamorfose
é natureza
e, sendo
assim, 
é parte do 
universo
e está
tudo bem.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

crescer
até que as paredes se quebrem
nem sempre é carinhoso

cansar
até que os dias não esperem
geralmente é desgostoso

cessar
não são todos que querem
continuar já foi proveitoso

é o fim
e é maravilhoso

terça-feira, 9 de junho de 2015

veja por onde andei
e os goles que bebi
assista o meu desfile
pelas faces que não vi
depois de quilômetros
só por um escapismo
ainda há a velha casa bamba
fruto de um desdém

olhe para trás
mas não faça muito alarde
é só uma maneira de paz
pra que não seja muito tarde
mas se só o agora te for visível
fica por minha conta
o combustível
pra descansar em algum lugar

venho morando num 
acostamento
de alguma via sentimental
quero uma fuga dessa fase
avulsa
quero um par de asas
e um vendaval

Autoconsumo

eu sou a minha presa
e minha predadora
saboreio o lascar das minhas
fibras
e mastigo a dor hostil

amarga é a realidade subversiva
que há em meus subsolos
e suave é o andar da vida cínica
de quem omite o mundo
caleidoscópios
sinestésicos
girando pelo céu

sons confortáveis
desmascarando
o meu véu

algumas folhas se balançam
pelo ar
algumas danças nos intimam
a cantar

cores vivas
coisas lindas
e a incerteza nos guiando

dias cinzas
noites frias
calmamente indo embora

o tempo ri,
mas não perdoa
hoje sim, 
amanhã destoa

a corda-bamba é o
caminho
ontem chuva,
amanhã solzinho

somos fotografias
de momentos reais
somos biografias
de nossos próprios
finais

um caleidoscópio 
imprevisível
e meu anseio
indiscutível
o universo é um viajante
bagunceiro
que deixa sua mochila no
caminho
para as estrelas tropeçarem

as linhas do acaso se cruzam
em nós
dificultando os fins
e iniciando maus começos

quem poderia apontar o erro?
foi uma questão de confiança
cósmica
e de aliança aberta

foi
por si só
um aconchego no
nunca
e já chegou a hora
de voltar pra casa
pra sempre
os problemas atuam
na nossa vida
de maneira
assídua

e a acidez nos dissolve
em desatino
em ritmo
contínuo

confesso que se
não nos dissimulássemos
tanto
talvez seria doce
o azedo
ínfimo

e teríamos na alma
o pulsar puro
de não esconder
o que se sente