quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Auto

equilibre-se entre os carros e entre a rapidez dos dias
fique inerte à rispidez de todas essas frases frias
congele seu coração
perdoe o perdão
ame
mesmo quando não há mais
força

forca

não morra
a vida está aí
o sol está aí
as pessoas estão


não morra
mesmo que ela não esteja
aqui


ouça
o que sua mente
mente,
mas escute,
não invente
canalize essa
vertente
para algo,
no mínimo,
decente

não seja assim
tão
descrente

você está sujeita
ao erro
ao acerto
ao equívoco
você está sujeita
à ela, também

pare de ver
e enxergue
pare de achar
e enfrente
pare de tramitar
e aja

não há nada mais que mude
como a atitude

tire o peso dos ombros
saia do meio dos escombros

pega o teu amor
jogue-o contra a parede
e vê se entende
que amor
não morre

corra,
não morra

tu também é
amor

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

eu, moça, menina, mulher
andava na rua, como um alguém qualquer
de repente passam três caras
e um deles me passa a mão
porque QUER

eu, moça, menina, mulher
estava numa festa, como um alguém qualquer
decidi beijar uma moça - eu, menina, mulher
de repente surgem quatro caras
e nos passam a mão, apalpam a bunda
e NINGUÉM nos pergunta
"moça, é isso que você quer?"

eu, moça, menina, guria
15 anos na face
terei que usar disfarce
pra evitar baixaria?

deixa que eu mesma respondo:
disfarce? nem aqui, nem na China
uso o que quero
a hora que quero
nas ruas que quero
faço o que eu quero
não, não sou TUA mina!

e se tu abrir a boca
pra dizer que é exagero,
que a mulher já conquistou
seu espaço
calado! pois eu, moça, menina
donzela
sei o que faço!
aliás, quem é que te falou
que a luta acabou?

abra seus ouvidos,
liberte sua mente
pois, que eu me lembre,
os úteros aqui
pertencem à gente!



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Emoção

Eles te dizem pra mudar o foco,
não virar o copo 
e manter a razão;
ouvir a mudez do tempo, 
não duvidar do silêncio
e engolir a emoção.
Tu se pergunta se isso é sério,
se não há um mistério 
e quiçá, uma solução;
tu arrisca toda uma certeza,
fica desprovida de clareza

e não resolve a equação.

domingo, 2 de junho de 2013

a vida por trás do suicídio

emergiu das águas,
subiu as rochosas montanhas, 
calçou as sapatilhas,
vestiu o casaco,
pegou as chaves,
seguiu para as luzes da cidade,
acariciou as flores,
descobriu novos prédios,
olhou para o céu,
teve os ombros beijados por uma borboleta,
comprou um sorvete,
foi em direção ao condomínio,
sorriu para os velhinhos,
acenou para o porteiro,
abriu a porta de casa, 
levantou as persianas, 
pôs o telefone no gancho, 
avistou o pôr do sol,
pegou um papel e uma caneta.
escreveu um texto.
e pensou em viver.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Devaneios de um coração atordoado

Sozinhos, sozinhos, sozinhos. Somos sós. 
Infelizmente, não à sós.
Desajeitados, desajustados, desequilibrados. Somos nós.
Infelizmente, nós não somos. Nem fomos.

Apressados, adiantados, aleijados. Somos pó.
Magoados, mastigados, marginalizados. Somos só.
Lamentados, choramingados, desacreditados. Temos fé.
Inapropriados, alucinados, deslocados. Damos ré.

Infelizmente, nunca estivemos de pé.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Insanidade

Sentir
todas as veias explodirem,
os ossos quebrarem e
os sentidos sumirem
seria mais sutil
do que sentir essa tristeza
que envenena cada milímetro
da
alma,
que te atira
no meio da rua
e te faz perder a calma.
Todas as formas
de expelir
essa imundície
parecem estar
estreitas demais
para 
sobrevivermos.
Todas as testemunhas
inanimadas
parecem distraídas
demais
para oferecer
qualquer tipo de
suporte.
Nunca morri,
mas isso soa
como a
morte -
mas quem sabe
talvez até a morte
seja mais
delicada.
Talvez isso
seja mais
exaustivo
do que os filmes
de exorcismo
na tela da tevê.
Se existe algo
impossível
nessa vida,
é esse momento
humilhante
e incessante
onde nada
possui coragem
o
suficiente 
para cessar
a dor.
E o que torna
tudo isso
mais bizarro
é que, de repente,
desacostumar-se
com essa chacina
é um passo
para uma vida
medíocre.