terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

finais são quedas livres
precipícios mudos
são imundos edifícios
que emudecem qualquer início
de vida

são os finais que nos permitem ir
sem juízo ou rota
que nos emparedam
em estradas sem
volta

final é ir
e vir
sem poder
de intervir
em mais

nada

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

os dias têm fim, 
as tardes também
a manhã começa
no final da noite

nós temos fim,
temos sim
a cada dia um novo
desfecho
um esquecimento
mudo
temporário

um fim 
precário

findamos nós
findamos durante
e após
e sem até mesmo
começar

findamos de
mentirinha
findamos até lembrarmos
da memória
da história
que ousemos
terminar

será que o sol
se lembra
da manhã
de hoje?
e as estrelas
teriam lembrança
de ontem a noite?

começamos com
tantos finais
e trilhamos
tantos enredos
iguais

o mundo é redondo
e gira
e somos apenas
soldados
de um círculo
que, sim,
jamais terá

fim