sexta-feira, 31 de outubro de 2014

(eu fiz um poema pra fotografar teu som)

ela emudece a falta 
com o riso estridente
que pinta as brancas paredes

ensurdece o caos quando 
mira os olhos pro muro
falho do meu peito puro

enfeita as janelas 
com uma agitação constante,
constelações distantes 
que vêm nos visitar

quatro paredes se enchem de mar
as ondas bonitas nos fitam com rimas
e ela me espreita até eu aflorar

num descuido calculado,
me beija e me espanta, 
me mata e me encanta,
me faz respirar como humana
mesmo embaixo do mar

nessa vida sacana, ela corre
e socorre, me ajuda a gritar
e grita nos olhos a leveza da alma
que me tira a calma
só pra me aliviar

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

sobre não ir

desfazer-se seria um privilégio
se o descaso fosse um atalho
acessível à mim

se as coisas mais lindas
não fossem as tristes e felizes
simultaneamente
muita coisa já teria sido

o passado assusta
a coragem
do coração

são bruscas as oscilações
que me constroem
diariamente

e são sinceros os pilares
que me fazem 
ficar