terça-feira, 9 de junho de 2015

depois de todos os acidentes
quando as cortinas se fecham
e o público se vai
resta uma poema aqui
meia dúzia de frases ali
e um pedaço do meu peito
eternamente encardido
de ti

antes de ti, inocência
durante, paz
agora, depois
e ainda contínuo,
peso

toneladas na garganta
e um tanto de nó
no coração
me estico até onde não consigo
pra te ver florir
me esmago e até nem respiro
pra te ver sorrir

amor elástico
amor sozinho
amor que vai, por si
e, se volta, é sem ti

e o tempo
que contabilizamos em dias
meses
anos
horas
semanas

insanas

pois quando olhei
tuas janelas da alma
já era tarde
tarde demais
para qualquer medida
ser tomada
ou até para alguma dor
ser evitada

se tu veio, foi porque sofri 
se te sofro, foi porque te vi
se tu me tem, é porque senti
se eu te guardo, tu não está 
aqui

e se as lágrimas caírem
a culpa é das linhas
as paralelas
as não cruzáveis
aquelas, as nossas
duvidáveis
e nem um pouco
viáveis

nossas linhas
eternamente
aéreas

etéreas

Nenhum comentário:

Postar um comentário