terça-feira, 9 de junho de 2015

mal mal mal
e pior
se chão
sem demarcação
sem o piso gelado
do fundo do poço
do poço do fundo
de dentro de nós
o cimento com unhas
acaricia a alma
que era macia
e amassa a íris
do olho que reluzia

passado passou
o fundo afundou
e ainda cava o buraco
com a mão em desespero
carne viva
peito morto
e riso,
riso muito
puro riso
de desgosto

atriz por acaso
por muito querer do tempo
atua o descaso
de amortecer lento
sem véu e com máscara
sem máscara e sem troféu
no meio-fio da rota escura
pelo céu é engolida
sujando a praça 
e a avenida
com folhas em branco
quebrando em feridas

outono, outono
outrora te abandono
porque teu sol queima em flor
e o anil ainda é vil

outono, agora, fica
porque o inverno anda finca
e a primavera ainda é
infelizmente
muito mais linda

Nenhum comentário:

Postar um comentário