terça-feira, 9 de junho de 2015

Hipocrisia

o tiro do tráfico
tapado pela farda
o fardo em pó
da pouca fala
sobre ópio,
erva, ácido
sobre o clássico
entorpecer
das caixas farmacêuticas
das receitas terapêuticas
da química que ilude lícita
quem se mune de ilícita

um palheiro,
um bastão nicotinado
não diferencia a fissura
dum alucinado
do baseado bolado
por mim, por ti
pelo favelado
quem vem com bala de borracha
não vê a caracha branca
do consumidor, amigo, colega
policial da moral fenomenal

a borracha da bala atinge a cara
preta e o bolso pobre
o tráfico respinga o sangue negro
dos escravos silenciados pelos
senhores bem armados
aventurados
pelo homem nobre
mestre da mulher
do animal
do marginal
que cheira a carreira pura
pura hipocrisia
apontada pra periferia
com a ferrenha ousadia 
de matar pra assegurar
seu colarinho engomado
junto do sujeito renomado
na cotidiana alegoria
do revólver sagaz
honrando a paz
que ninguém consegue
apalpar

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